Capítulo VIIIGoverno e finanças

Subiu o senhor de Aelgar o imposto do povo em meio ponto e ninguém deu por isso. Subiu outro meio no turno seguinte, e outro no seguinte. Ao sexto, o povo deu por todos ao mesmo tempo.

— Crónica de Vardun, livro terceiro

8.1 De onde vem o rendimento

O rendimento de um hex tem duas bases tributárias distintas, uma por cada constituinte que se pode irritar:

base urbana = habitantes urbanos ÷ rácio  →  tributada pelo imposto ao povo
base rural = habitantes rurais ÷ rácio  →  tributada pelo imposto à nobreza

Sobre as duas aplicam-se, multiplicativamente, as variáveis do hex: raça, modelo económico, fertilidade, estado de guerra e saque. Depois entram as do condado que controla o hex — que pode não ser o proprietário (capítulo II).

A terra não paga por existir

A base rural entra através do imposto à nobreza. Nunca rende nada por si: paga o que o senhor do feudo te entregar, e és tu que decides quanto. Sem imposto à nobreza, o teu rendimento é exactamente o urbano de sempre.

É esta separação que torna o imposto uma decisão em vez de uma alavanca: tributar as cidades arrisca revolta, tributar os feudos arrisca perder território sem uma única batalha.

A administração do Conde acrescenta um bónus sobre a base urbana, escalado pela eficiência administrativa do condado. Um Conde ausente da capital não o aplica.

8.2 Os três impostos

A ordem CND_IMPOSTO altera um imposto de cada vez, e não mais do que 1,0 ponto percentual por turno. Cada um tem a sua base e o seu modo de falhar:

Três impostos, três constituintes a irritar
ImpostoIncide sobreOnde dói
PovoPopulação urbanaAcima de 5% custa lealdade do povo, meio ponto de excesso por ponto de lealdade — amortecido pela polícia. Lealdade do povo baixa é risco de motim (§8.4).
NobrezaRendimento ruralAcima do costume do teu governo — e não de um valor fixo — custa lealdade da nobreza. Nobreza em baixo é deserção de território (§8.5).
CleroBase do dízimoCusta legitimidade. Clero muito em baixo é interdito: excomunhão e moral em queda em todos os teus exércitos.
O costume da casa

O limiar da nobreza vir do governo, e não de um número fixo, é deliberado: cada regime tem o seu costume fiscal e é contra o costume da casa que os senhores medem o abuso. Uma monarquia centralizada tributa mais sem escândalo do que uma confederação tribal. Vê a coluna do imposto médio na tabela de governos do capítulo IV.

8.3 Lealdades

Quatro grupos, quatro valores de 0 a 100: nobreza, clero, povo e exército. Não são quatro cópias da mesma barra — cada um falha de maneira própria, e é isso que os torna quatro decisões e não uma:

GrupoComo falha
PovoMotim, revolta, insurreição — perdes o hex, e depois perdes o hex para alguém.
NobrezaMenos recrutas na leva; abaixo do limiar, um hex com núcleo muda de bandeira inteiro. Em baixo, também risco de crise sucessória e perda de acesso a cavalaria pesada.
CleroMenos dízimo; abaixo do limiar, interdito e moral em queda em campanha.
ExércitoSoldos em atraso derrubam-na, e ela amplifica a deserção: um défice de manutenção com o exército descontente esvazia unidades inteiras.
Limiares de lealdade
Parâmetro Valor
Excesso fiscal por ponto de lealdade perdido 0.5
Lealdade da nobreza abaixo da qual há deserção de território 30
Risco de deserção por degrau de 5 pontos 0.03
Lealdade da nobreza que dá acesso a cavalaria pesada 50
Lealdade da nobreza abaixo da qual há risco de crise sucessória 40
Lealdade do clero abaixo da qual há interdito 20
Moral perdida sob interdito 0.15

8.4 Sublevação

O povo tem um modo de falhar próprio, e é este: abaixo do valor de referência de lealdade, por cada degrau de pontos a menos sobe um degrau de probabilidade de um hex se sublevar.

p(revolta) = degraus × risco por degrau ÷ estabilidade do governo × ( 1 − polícia ÷ 200 )

Três leituras que valem a pena:

  • Acima do valor de referência não há risco nenhum, por muito instável que seja o regime;
  • a estabilidade do governo divide: um regime frágil multiplica o risco, um centralizado corta-o;
  • a polícia ao máximo corta o risco a metade — que é o que a ordem CND_POLICIA promete e até aqui não fazia.

Os três escalões

EscalãoO que acontece
MotimO hex produz a meio-gás. Aguenta alguns turnos; se nada for feito, agrava.
RevoltaO hex deixa de ser controlado — fica sem ninguém a mandar nele — e leva consigo uma fatia do pool militar.
InsurreiçãoNasce um condado rebelde: um NPC com os hexes sublevados contíguos, capital própria e estado de guerra contigo nos dois sentidos. O povo vem com ele; a nobreza não, porque nenhum senhor jurou nada a um chefe de bandidos.

O hex que se subleva não é sorteado ao acaso: pesa mais o que tem raça ou subcultura diferente da tua, o que passa fome e o que está longe da capital. A revolta tem de ser legível e evitável.

Guarnição a mais também custa

Uma guarnição reduz o risco mas nunca o leva a zero: há um piso, porque guarnição a mais é ocupação, e ocupação também gera ressentimento. Acima de uma certa proporção de tropa por habitante deixas de proteger e passas a perder lealdade do povo por turno.

Sublevação — valores em vigor
Parâmetro Valor
Lealdade do povo abaixo da qual há risco 50
Pontos de lealdade por degrau 5
Risco acrescentado por degrau 0.02
Piso do risco, por muita guarnição que haja 0.2
Tropa por habitante a partir da qual é ocupação 0.2
Lealdade perdida por turno de ocupação 1
Turnos que um motim aguenta antes de virar revolta 3
Produção de um hex amotinado 0.5
Pool militar que uma revolta arrasta 0.5

8.5 Deserção de território

É o modo histórico de perder terra sem uma única batalha, e não tem nada a ver com a revolta popular. Abaixo do limiar de lealdade da nobreza, um hex com núcleo pode mudar de bandeira — e não fica sem dono como na revolta: passa inteiro para o vizinho com quem tens melhor relação. Quem troca de senhor troca-o por alguém em concreto.

Só hexes com núcleo: um senhor com castelo tem o que oferecer e a quem oferecê-lo; um hex vazio não muda de bandeira por decisão de ninguém.

8.6 Eficiência e polícia

A eficiência administrativa (0–100) mede quanto da tua vontade sobrevive à viagem até ao terreno, e escala o bónus de administração do Conde no rendimento. A polícia (0–100) mede o controlo sobre o território: amortece o risco de sublevação, reprime bandoleirismo e apanha contrabandistas.

A ordem CND_POLICIA sobe ou desce a polícia em 1 ponto de cada vez. Custa 150 Cr por nível, por cada 100 000 habitantes.

Exemplo — o preço da ordem pública

Um condado de 350 000 habitantes quer subir a polícia de 50 para 53.

150 Cr × 3,5 (centenas de milhar) × 3 níveis = 1 575 Cr

E são três turnos, porque a ordem sobe um nível de cada vez. Ordem pública é uma despesa de longo prazo, não uma resposta a uma crise — quando o povo já está em baixo, a polícia que precisavas devia ter sido comprada há um ano e meio.

8.7 Bandoleirismo e ordem no terreno

Cada hex tem três valores que regem o risco no seu território:

ValorIntervaloEfeito
Bandoleirismo0.5 – 3.0Multiplica o risco base de assalto a caravanas.
Qualidade das estradas0.0 – 1.0Reduz o risco de assalto, o custo de movimento e a perda de escoamento.
Ordem pública0.5 – 3.0Multiplica o risco de captura de contrabandistas.

8.8 Cunhagem

A ordem CND_CUNHAR converte ouro do mercado do condado em coroas. É a forma directa de transformar riqueza em liquidez — e a forma directa de descobrir que a liquidez desaparece mais depressa do que o ouro.

8.9 Taxa ao suserano

Se és vassalo, pagas ao teu suserano uma percentagem até 25%, alterável com CND_TAXA_SUSERANO. A ordem actua sempre sobre o suserano já reconhecido — não escolhes a quem pagas, escolhes quanto.

Duas coisas que mudam o cálculo:

  • A taxa incide sobre a colecta do turno — impostos, taxas portuárias e portagens — e não sobre a tesouraria. Um ano mau paga pouco;
  • tributar acima do costume do governo do suserano custa lealdade da nobreza ao vassalo. Um vassalo com a nobreza no chão acaba por repudiar o vínculo, e é assim que a vassalagem se desfaz sem guerra.

Do outro lado, o suserano cobra sobre a colecta total — e portanto beneficia de o vassalo apertar os seus próprios nobres. A tensão é de propósito.